Não importa o nome - cybercracia, netcracia, webcracia - o importante é a idéia, o conceito de um novo sistema político "virtual".
Penso nisso há alguns anos, desde 2005, 2006. Inicialmente achei que deveria amadurecer mais a idéia para depois lançar ao debate. Mas logo percebi que não há tempo para muita elaboração e que, mais que uma nova idéia, é uma visão de algo que tende a acontecer, cedo ou tarde, da forma como vou explanar ou com variações. E é tão óbvio que é provável que alguém já tenha lançado algo parecido. Mas como não vi ainda, vamos em frente.
O melhor é que pode ser algo realmente muito bom: um nível de participação popular jamais visto na gestão de poder público, em toda a história da humanidade! E não é utopia, já está acontecendo, passo a passo, a cada novo escândalo político ou econômico, quando milhares de internautas dão palpite, comentam, se mobilizam para protestar ou reivindicar justiça.
O modelo da plataforma para esse novo sistema já funciona, em redes sociais como Facebook, Orkut, Twitter. Aliadas a recursos de segurança das HTTPS, elas são os embriões de um novo sistema político global, com participação de todos em tempo real. A palavra "todos", por enquanto, equivale aos que tem acesso à internet - mas isso está evoluindo muito rapidamente: estudos recentes indicam que em poucos anos a rede mundial de computadores vai dobrar de tamanho a cada 11 horas. E hoje já abrange praticamente 20% da população mundial, o que é muito, considerando o tempo de vida da WWW.
Se olharmos bem, nem a democracia grega teve e nem a americana possui abrangência total ou legitimidade ideal. Ao contrário, só as elites dominantes participam das decisões que interessam realmente. Então pense: se a minha diarista, uma paraense com mais de 50 anos, sabe usar um celular com descontração e me pede para consultar (e acompanha), em meu PC, o simulador de financiamento no portal CEF/”Minha Casa Minha Vida”, então podemos crer que o acesso à rede pelas classes menos favorecidas já é uma realidade - ainda que aconteça indiretamente, por enquanto. Afinal, logo poderemos ter algo como "Meu Ipad, Minha Vida" com parcelas mensais de R$ 2,00. Ou coisa parecida.
Mas, voltando à Cybercracia, o assunto é vasto demais para um só post. E está longe de ser esgotado. O propósito deste Blog é delinear o conceito e lançar o debate. Acredito que a coisa tende a evoluir por meio de contribuições, sugestões, questionamentos, e pode tomar novos rumos ou ainda cair no esquecimento. Mas, pelo menos terei feito minha catarse, só para mostrar que é possível sonhar com um futuro que não seja apenas o caos - pode ser o caos com internet e um debate amplo...
No próximo texto "Quero Morrer seu amigo" vamos ver como isto pode realmente acontecer...
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ResponderExcluirOlá Bernardo,
ResponderExcluirengraçado sua postagem, pois há pouco, comentando sobre os problemas inerentes a democracia fiz também um prelúdio do futuro, no qual nosso modelo em cem anos se chamaria Cybercracia. Porém, no modelo que imagino um programa de computador decide algoritmicamente sobre o justo e sobre o economicamente melhor. Tal programa representaria o poder impessoal, pretensamente representado pelo representante democraticamente eleito, abolindo, assim, as eleições. Pois, já que não é mais identificação entre uma figura pessoal e o poder, como algo abstrato, para que eleições?
Enfim, vi que você reserva um espaço para uma participação do povo por meio da internet. Mas isso é democracia feita por outros meios. O modelo seria o mesmo. No modelo que imagino, não há participação do povo, pois o povo na realidade, não sabe decidir. As pessoas em geral, mal sabem decidir o que é melhor para si mesmas, quem dirá para todos. O softwear deve ser bom para os propósitos de igualdade e dignidade na vida humana, ou precisa ser reparada.
Não há espaço nem motivo para qualquer ser humano ser favorecido. Visto que o poder está sendo exercido, algoritmicamente.
Parece uma especulação louca. Mas levando em conta que os canais semânticos desse softwear computacional já estão sendo construídos (modelagem computacional de mercado, do cérebro, da sociedade, do crime, escaneamento das cidades, reconhecimento de faces, etc.) Isso já é quase uma realidade iminente. Só falta um computador quântico para computar toda essa informação.
Abraço
Olá Márlon, Obrigado por seu comentário.
ExcluirRealmente, muito perspicaz. São coisas para refletirmos - afinal, será o computador quântico mais imune à manipulação e à corrupção do que o sistema atualmente existente? Afinal, vamos todos nos tornar reféns da AI? (Inteligência Artificial) E será que vai aparecer um Gladiador do Futuro pra nos salvar - ou para nos dizimar? Espero viver pra ver... e como você observou, parece que já estamos quase lá... Abraço!
Beraldo - Cybercracia
PS: Confira também a versão em domínio próprio do Cybercracia:
http://www.cybercracia.com.br
Olá Bernardo,
ResponderExcluirolha, até onde eu sei, o computador quântico só muda a natureza do processador. O que quer dizer, se a informação for correta, que os sistemas de programação continuaria sendo os mesmos e assim, tão vulnerável quando qualquer outro.
Sim, muito perspicaz seu ponto. Na intuição que tive, o softwear tem que ser necessariamente estúpido; ou seja, ele não poderia ter autonomia. Até onde sei, não há tecnologia em AI que dê autonomia a nenhuma máquina. E a existência de uma máquina com autonomia (ou seja, que pudesse decodificar linguagens alternativas, e reprogramar a si mesma) seria um risco muito grande. Por isso o sistema deveria será muito limitado e estúpido. Quando eu digo estúpido quero dizer, fundamentalmente dependente de programação humana. Não reprogramável em seus axiomas básicos. É um dilema.
Abraço
Vou conferir o domínio.